COMO ESCREVER UM ROTEIRO DE CINEMA, PASSO A PASSO

Roteiro e narrativa2 min de leituraPublicado em 19 de janeiro de 2025

Antes da câmera, da luz e da equipe, existe uma folha em branco e uma dúvida: qual história merece ser contada e quem vai querer ver até o final? O caminho abaixo funciona para curtas, filmes institucionais e peças publicitárias.

Resuma tudo em uma frase

Conte a história em uma linha: alguém quer algo e algo se coloca no caminho. Se não cabe numa linha, ainda falta clareza. Essa frase passa a ser a régua para decidir o que fica e o que sai do texto.

Um personagem que quer alguma coisa

Quem está na tela precisa de um desejo e de um obstáculo. Pode ser uma pessoa, uma empresa ou uma cidade inteira. Em Brasília, por exemplo, a cidade planejada, os espaços amplos da Esplanada e o céu aberto do cerrado já sugerem conflitos visuais prontos: a escala enorme diante de alguém pequeno, a rotina de gabinete contra a vida fora dele.

Os três atos

  • Ato um: mostra o cenário, quem é o personagem e o problema que tira tudo do lugar.
  • Ato dois: reúne as tentativas, os erros e os tropeços, e normalmente ocupa metade do filme ou mais.
  • Ato três: dá a resposta ao conflito e deixa claro o que ficou diferente.

Num vídeo de trinta segundos o esquema é o mesmo, apenas apertado: um problema, uma virada e uma solução.

Escreva o que aparece na tela

O texto só pode conter o que a câmera filma e o que o microfone capta. Em vez de “ela estava ansiosa”, escreva “ela confere o relógio e guarda o celular no bolso”. Toda cena precisa de um propósito e de uma transformação. Se ninguém muda ao longo dela, vale cortar.

Falas curtas

Ninguém fala tudo o que sente. Confie no que fica nas entrelinhas, não repita com palavras o que a imagem já conta e teste as falas em voz alta. Quando o ator engasga, a frase quase sempre foi escrita para ser lida, e não para ser dita.

Com o olho na produção

Roteiro bom conversa com o que dá para filmar. Cada locação, cada figurante e cada cena à noite pesam no orçamento. Em Brasília, onde o ar seco e o sol forte dominam boa parte do ano, vale marcar as externas para a luz suave do início da manhã e do fim da tarde e ter uma alternativa coberta para o dia em que a chuva do cerrado chegar de repente.

Hora de revisar

  1. Afaste-se do texto por alguns dias antes de voltar a ele.
  2. Elimine o que não faz a história andar.
  3. Leia em voz alta e marque os trechos em que o ritmo arrasta.
  4. Peça uma leitura a alguém de fora e veja em que ponto a pessoa perde o fio.

Um roteiro não é literatura, é o mapa do filme. Com ele claro, o set trabalha com calma, a equipe se entende rápido e a montagem fica mais simples.

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